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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Introspecção, por Pedro Piaf

Tento fechar o livro,
olhar pela janela
procurar a tua sombra…
uma vez mais

Sabes, as sombras têm cor e formas bem definidas…
não enganam!

Tento deixar-te desde sempre…
mesmo sem o saber!

Ainda antes de te ter conhecido
já o teu cheiro partilhava
mesmo sem sentir o teu sabor!

Quero tanto abraçar-te
com os meus braços já cansados,
e por ti ser ternamente devorado…

O meu sangue já não tem cor…
fundiu-se com o teu numa paleta de cores eterna!

Ouço agora velhos discos de outrora,
melodias gastas e sujas de pó
que descobri na minha labiríntica memória!
E não penso em ti… porque endoideço!

Não há brilho nos olhos como o teu!
Não há gargalhada que mais me aqueça do que a tua!
Não há corpo vivo… que mais me fascine!

Os segredos não existiriam se não fossem vividos…

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